RIO DE JANO

A antropologia visual bem humorada e pop
do Rio de Janeiro e dos cariocas,
do ponto de vista de um desenhista francês.

Um filme de
Anna Azevedo
Renata Baldi
Eduardo Souza Lima

O filme

Jano (pronuncia-se Janô) é um desenhista francês especialista em um tipo de arte que na Europa ficou conhecido como "Cadernos de Viagem".

Durante 50 dias, a partir de outubro de 2000, realizou um profundo mergulho na vida carioca, visitando lugares jamais representados nos cartões postais, conhecendo pessoas de todas as classes socias, observando, experimentando, trocando.

O resultado desta incursão é um álbum que se tornou obra de referência quando o assunto é o modo de ser do carioca moderno, seu jeito sui generis de levar a vida e os contrastes desta cidade ao mesmo tempo bela e pobre, alegre e violenta.

Uma espécie de tratado antropológico ilustrado e pop que impressiona pela riqueza, precisão de detalhes e pelo humor.

A equipe do documentário RIO DE JANO acompanhou o francês durante todos os seus 50 dias, no Rio. E ainda a finalização das aquarelas, no ateliê do artista, em Paris.

O filme apresenta o Rio de Janeiro sob um ângulo inusitado, a partir do aguçado e raro senso de observação e percepção de Jano.

Flagra o momento exato em que nascem os desenhos. As observações, as escolhas, a técnica do desenhista. E faz uma relação entre a realidade e a sua recriação nos obras de Jano.

Jano e Debret

O trabalho que Jano desenvolveu no Rio tem antecedentes históricos.

No século XIX, diversas missões estrangeiras vieram ao Rio para documentar a vida nos trópicos e retornaram ā Europa com relatos e pinturas que, hoje, configuram-se como testemunho ímpar dos modos e costumes do brasileiro de então.

O mais conhecido destes pintores viajantess é o francês Jean Baptiste Debret.

RIO DE JANO também traça um paralelo sutil entre as aquarelas de Jano e o trabalho de mapeamento paisagístico e social do Brasil-Colônia feito por Debret e outros.

E assim como os desenhos de Debret hoje servem de fonte de estudo para pesquisadores sobre os costumes e a geografia da cidade no século XIX, os de Jano formam um rico painel da vida do Rio de Janeiro no fim do século XX.

Jano

Jean le Guay - ou simplesmente Jano - é quadrinista, cartunista, ilustrador e viajante de carteirinha. Nasceu em Paris em 1955, no subúrbio de Arcueill, onde vive até hoje.
Estudou Belas Artes, colaborou com as revistas Métal-Hurlant e B.D.Rock. Nos anos 80, consgrou-se como um dos expoentes de uma geração de quadrinistas underground que ficou conhecida, na França, como Geração BDRock. (BD é a sigla francesa para Bande Dessinée, história em quadrinho). Mas a notoriedade mesmo veio com a criação de seu mais famoso personagem: Kebra, um rato malandrão que logo nas primeiras histórias pulou de coadjuvante para o posto de grande astro da série. Kebra virou o representante máximo da geração BDRock. Jano foi premiado no maior festival de quadrinhos do mundo, em Angoulême, na França, com o álbum Gazoline. E notabilizou-se com a série Carnets de Voyage por retratar o lado mais inusitado dos lugares que percorreu, como uma espécie de turista singular. Atualmente trabalha na série Les fabuleuses dérives de la Santa Sardinha. Nela, o artista narra as peripécias da atrapalhada tripulação de uma nau durante as grandes descobertas portuguesas do século XVI. E prepara-se para lançlar, no cinema, a sua primeira animação: um filme sobre o legendário bluesman Robert Johnson. Viajou ao Brasil quatro vezes. Se morasse aqui, diz que gostaria de viver no bairro de Santa Teresa, no Rio. Gosta da cerveja brasileira e de comer carne seca desfiada. Seu método de trabalho baseia-se quase que integralmente na memória visual. Jano visita os lugares e raramente faz algum esboço no local. Quando faz fotos, explica, é para não errar na grafia de placas, por exemplo, ou quando quer se assegurar que não errará nas proporções. O artista usa a técnica do nanquim com aquarela. Jano, que toca gaita, levou na bagagem de volta à França um cavaquinho. Sua próxima vinda ao Brasil já está agendada: próximo verão " porque não aguento mais o inverno na França" - diz.

Obras de Jano:

- Fait comme un Rat com Tramber (1981, Humanoïdes Associés).
- Kebra chope les Boules e Le Zonard des Étoiles com Tramber (1982, Humanoïdes Associés).
- Ça roule com Dodo (1983, Humanoïdes Associés).
- La Honte aux trousses (1983, Humanoïdes Associés).
- Sur la Piste du Bongo (1986, Humanoïdes Associés).
- Carnet d'Afrique (1986, Cartons Editions).
- Wallaye (Prêmio Philip Morris - Genebra) (1987, Humanoïdes Associés).
- Gazoline et la Planéte Rouge (Prêmio Angoulême - 1990) (1989, Albin Michel).
- Kebra Krado Komix com Tramber (1989, Albin Michel).
- Bonjour les Indes com Dodo & Ben Radis (1991, La Sir7eacute;ne).
- Kémi (Prêmio International Kemi Artic Comics Festival - 1999 Finlândia).
- Le Pygmée Géant (texto de J.-L. Fromental) (1996, Seuil Jeunesse).
- Paname (1997, Albin Michel).
- Les fabuleuses Dérives de la Santa Sardinha (1999, Albin Michel).
- Carnets de voyage - Rio de Janeiro (2001, Albin Michel).
- Cadernos de Viagem - Rio de Janeiro (2001, Casa 21 Ltda / Sinapse Projeto Cultural).

A direção

"RIO DE JANO" marca a estréia na direção cinematográfica em longa-metragem de Anna Azevedo, Renata Baldi e Eduardo Souza Lima.

Anna é jornalista e roteirista. Após "Rio de Jano", dirigiu "Batuque na Cozinha", documentário de curta-metragem sobre as pastoras da Portela, premiado no Concurso de Roteiros da Riofilme. Anna estudou Roteiro Cinematográfico na Escola de Cinema e TV de San Antonio de Los Baņos, Cuba.

Renata é formada em cinema pela Universidade de Paris, editora de TV e montadora. Realiza diversos trabalhos para a TV Globo e, em cinema, montou, entre outros, "A Dama da Noite", de Mário Diamante e "La Serva Padrona", de Carla Camuratti. Renata também assina a montagem de "Rio de Jano".

Eduardo Souza Lima é jornalista especializado em cinema. Há 10 anos, trabalha no jornal O Globo, onde é editor-assistente do Segundo Caderno. é co-diretor dos vídeos "Caçada implacável" e "Capitão Electron contra a Ameaça Venusiana". Mudos e em P&B, viraram cult e participaram de diversos festivais no circuito carioca de vídeos no fim dos anos 80.

Mário Carneiro:o pintor de fotogramas

Assinando a direção de fotografia de "Rio de Jano", Mário Carneiro, um dos mais importantes fotógrafos de cinema do Brasil.

Mário co-dirigiu e fotografou "Arraial do Cabo", em 1959, documentário pioneiro do Cinema Novo - movimento que lançou internacionalmente o cinema brasileiro. é, também, artista plástico consagrado e arquiteto.

Mário trabalhou ao lado do fotógrafo André Vieira, em sua primeira experiência com câmera em movimento. André é um fotojornalista experiente, apesar de jovem. Trabalhou para a revista Manchete e cobriu, entre outros eventos, a Guerra do Afeganistão para a revista americana Newsweek.

LOCAÇÕES

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